O Resgate do Problema da Fundamentação Ontológica na Geografia através da Fenomenologia-hermenêutica de Martin Heidegger

Resumo: O projeto busca desenvolver uma pesquisa sobre a questão da fundamentação ontológica na Geografia, problematizando-o através do diálogo renovado com o pensamento de Martin Heidegger. Trata-se de um caminho de problematização que encontra amparo em contribuições relativamente recentes dedicadas ao assunto (Elden, 2001a, 2005a; 2006; Joronem, 2008; 2010; 2011; Shaw, 2012; Reis, 2012; Schatzki, 2007; Strohmayer,1998).
A fundamentação ontológica da ciência geográfica, enquanto tema, e a fenomenologia-hermenêutica de Heidegger, enquanto método, exprimem os dois elementos centrais do trabalho. Esses elementos possuem um lastro tão inequívoco quanto complexo na ciência geográfica. É possível, entretanto, reconhecer que ambos integram de modo substantivo o debate interno à ciência geográfica a partir da década de 1970, no contexto do movimento de renovação, notadamente através dos horizontes “humanista” e da “crítica-radical” (Gomes, 1996).
É amplamente reconhecida a associação entre, por um lado, o “horizonte humanista” e a fenomenologia; e, por outro lado, a reflexão ontológica no “horizonte da crítica-radical”, que estabeleceu um estatuto de resolução ontológica de amplo alcance na Geografia através determinação social do ser do espaço geográfico, sob influência decisiva do pensamento marxista. Nesse caso é saliente a influência da ontologia do ser social de Lukács; não obstante a proposição mesma da produção social do espaço - no qual o diálogo com a obra de H. Lefebvre exerce um papel decisivo – constitua uma expressão estrita do referido estatuto. A confluência subsequente desses horizontes e a convergência correlata de temáticas e matrizes filosóficas, que lhe é constitutiva, foi conduzida, em grande medida, com base nos padrões de codificação dos temas (e interlocução com as matrizes filosóficas) estabelecidos previamente no interior de cada horizonte.
A reflexão que se pretende desenvolver tem por objetivo geral demonstrar que o modo com o qual se verificou, por um lado, tanto a proveniência da influência do pensamento de Heidegger através do horizonte humanista quanto, em igual medida, o estatuto de fundamentação ontológica instaurado no horizonte da crítica-radical, obstruíram o alcance (e até mesmo a apreensão do significado) que o pensamento de Heidegger poderia assumir para tratar a fundamentação ontológica na disciplina. Essa obstrução se manifesta, de modo geral, pela forma com a qual se dispensou uma tratativa restrita ao âmbito epistemológico, notadamente através da transposição de noções “heideggerianas” pela analogia formal que exprimiriam com a conceptualidade da geografia sem, contudo, preservar a significação que lhes é própria – como é recorrente na geografia humanista (Marandola Jr. 2012; 2016); isso em detrimento da reabilitação do problema da fundamentação ontológica da geografia que, sugere-se, deveria constituir a diretriz primordial para se resguardar uma interlocução coerente com as exigências intrínsecas ao pensamento do filósofo (como demonstrado por Pickles, 1985). O primeiro passo, no sentido dessa reabilitação, consistiria em legitimar a imprescindibilidade do geógrafo assumir a analítica do ser-aí, (fonte primordial da ontologia fundamental de Ser e Tempo), antes das requisições que lhe são usualmente atribuídas (na pesquisa aplicada ou epistemológica), na medida em que, sugere-se, sem esse encaminhamento se transfigura (como buscar-se-á evidenciar no desenvolvimento da pesquisa) o âmbito propriamente ontológico ao qual uma ciência específica deve se restringir para conservar uma relação coerente com o pensamento do filósofo.

A produção científica sistemática sobre o tema, através de artigos; trabalhos de conclusão de curso; etc., passíveis de serem publicados e apresentados em eventos científicos constituem os resultados esperados com a realização do projeto

Data de início: 2018-05-12
Prazo (meses): 39

Participantes:

Papelordem decrescente Nome
Coordenador Luis Carlos Tosta dos Reis
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