NATUREZA, TERRITÓRIO E CAPITAL:

DA GÊNESE À CONSOLIDAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO COMO LÍDER
NACIONAL DA PRODUÇÃO DE ROCHAS ORNAMENTAIS

Nome: ELIZETE DA NÊIVA MOREIRA

Data de publicação: 21/08/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
CARLOS TEIXEIRA DE CAMPOS JUNIOR Presidente
FERNANDO CEZAR DE MACEDO MOTA Examinador Externo
HELDER GOMES Examinador Externo
LEANDRO BRUNO SANTOS Examinador Interno
PAULO CÉSAR XAVIER PEREIRA Examinador Externo

Resumo: Este estudo tem como objetivo compreender as razões que levaram o Espírito Santo a
assumir a liderança nacional na indústria de rochas ornamentais, bem como analisar os
processos específicos de reprodução e apropriação do capital nesse setor. Parte-se da
questão central: por que o Espírito Santo se transformou no principal expoente da
produção de rochas ornamentais no Brasil? A pesquisa demonstra que, embora as
condições geológicas favoráveis tenham contribuído para o desenvolvimento da
atividade, a consolidação da cadeia produtiva resultou da articulação entre diferentes
agentes e processos históricos, destacando-se a atuação do Estado, as entidades de
representação empresarial, a reconfiguração do mercado internacional e o
desenvolvimento técnico e tecnológico voltado, sobretudo, às etapas de beneficiamento
realizadas localmente. Geograficamente, a atividade estrutura-se em torno de três
microrregiões principais – Central Sul, Noroeste e Grande Vitória – que conformam o
núcleo do Arranjo Produtivo Local capixaba. A partir do século XXI, sobretudo, o
Espírito Santo passou não apenas a concentrar a maior parcela da produção nacional de
rochas ornamentais, mas também a exercer centralidade estratégica sobre cadeias
produtivas de outros estados, processando parte significativa das rochas neles extraídas.
Os resultados evidenciam que a acumulação capitalista nesse setor ultrapassa a
exploração direta do trabalho industrial, manifestando-se também na apropriação de
rendas associadas à propriedade fundiária e, sobretudo, aos direitos de exploração
mineral, que possibilitam a captura de parcelas do mais-valor social por meio de
mecanismos de monopólio e valorização. Paralelamente, a expansão da atividade
intensifica a apropriação da natureza, revelando a contradição entre a crescente
valorização social das pedras naturais e a destruição das paisagens que lhes dão origem.
Ao analisar essas dinâmicas, o estudo contribui para a compreensão crítica da acumulação
capitalista e da formação socioespacial do Espírito Santo.

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