FINANÇAS VERDES COMO ESPETÁCULO: MODERNIZAÇÃO E “ASSETIZAÇÃO” DA NATUREZA NO LITORAL NORTE DO ESPÍRITO SANTO

Nome: LUCAS DE MELO GOMES

Data de publicação: 24/04/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
CARLOS TEIXEIRA DE CAMPOS JUNIOR Examinador Interno
CASSIO ARRUDA BOECHAT Presidente
FÁBIO TEIXEIRA PITTA Examinador Externo
GUSTAVO MOURA DE CAVALCANTI MELLO Examinador Interno

Resumo: Esta pesquisa apresenta uma análise histórica e crítica do desenvolvimento do setor de papel e
celulose no Brasil, articulando-o a processos mais amplos de modernização, atuação do
Estado e financeirização da economia. Adota-se como ponto de partida para essa análise o
final do século XIX, período que é interpretado à luz do conceito de autonomização das
categorias terra, trabalho e capital, evidenciando como essas esferas passam a operar e a
estruturar novas relações sociais no território. Nesse sentido, a Lei de Terras, o coronelismo e
a organização regional do poder são analisados como elementos centrais do processo de
territorialização das ações estatais e do capital. Na sequência, a integração nacional no
pós-1930, representou uma centralização política promovida pelo governo Vargas, além do
enfraquecimento das oligarquias regionais e a ampliação do papel do Estado no planejamento
econômico. Nesse contexto, ciência, técnica e políticas públicas passam a orientar a
modernização agrícola e industrial no Brasil. A silvicultura emerge como política estratégica,
inicialmente vinculada às demandas ferroviárias e energéticas e, posteriormente, à siderurgia e
à indústria de papel e celulose. A legislação florestal e os incentivos estatais consolidaram a
noção de “floresta plantada”, favorecendo a expansão do setor e redefinindo o uso e a gestão
do território. No pós-guerra, impulsionou-se a industrialização pesada e o setor de papel e
celulose passou a ser visto como estratégico ao projeto de desenvolvimento nacional. A
expansão do setor, o financiamento público e a articulação entre Estado e capital privado
reconfiguraram a base produtiva nacional. Essa dinâmica se territorializou no Espírito Santo,
que passou a ser inserido na divisão internacional do trabalho, diversificando sua estrutura
produtiva por meio da implementação dos chamados “grandes projetos”. Nesse contexto,
destacam-se processos de expropriação territorial, violações de direitos e conflitos
socioambientais, sobretudo na implementação do setor de papel e celulose no estado. Por fim,
discute-se a ascensão das finanças verdes como desdobramento de reestruturações na
reprodução capitalista através da análise da relação entre desenvolvimento sustentável,
instrumentos financeiros e formas de “assetização” da natureza. A análise crítica enfatiza os
limites da regulação estatal e a persistência de conflitos socioambientais nas áreas
investigadas, indicando tensões entre uma política ambiental financeirizada, bem como as
estratégias financeiras e societárias que reestruturaram o setor nas décadas finais do século
XX.

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