Uma geografia das aspirações: espacialidades e mobilidades cotidianas de jovens de escolas periféricas na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) - ES

Nome: ÍTALA LUZIA DE ANDRADE

Data de publicação: 08/06/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ANA MARÍA CHÁVEZ GALINDO Examinador Externo
AURELIA HERMINIA CASTIGLIONI Examinador Interno
EDNELSON MARIANO DOTA Presidente
ISIS DO MAR MARQUES MARTINS Examinador Externo
KARINA EUGENIA FIORAVANTE Examinador Externo

Resumo: A presente pesquisa analisa as espacialidades da vida cotidiana de jovens do ensino
médio na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV), com o objetivo de
compreender de que modo os contextos de inserção socioespacial influenciam a
construção das aspirações no processo de transição para a vida adulta. A pesquisa
parte do pressuposto de que tais aspirações não são exclusivamente individuais, mas
socialmente produzidas, sendo mediadas pelas experiências cotidianas e pelas
desigualdades territoriais que estruturam o espaço metropolitano. O estudo insere-se
no campo da Geografia da População, dialogando com as Geografias da Vida Cotidiana
ao propor uma abordagem que privilegia as dimensões espaciais das práticas diárias.
Metodologicamente, adotou-se uma abordagem mista, articulando análise quantitativa
de dados do Censo Demográfico (IBGE) e do Censo Escolar (INEP) com entrevistas
semiestruturadas realizadas com 71 jovens da 3a série do ensino médio em escolas
periféricas da RMGV. A etapa quantitativa permitiu identificar padrões de desigualdade
socioespacial na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV), subsidiando a
definição do recorte empírico da pesquisa. Já a etapa qualitativa possibilitou apreender
as espacialidades da vida cotidiana dos jovens, evidenciando que a mobilidade
cotidiana constitui dimensão central da experiência juvenil, condicionando formas
desiguais de circulação, apropriação da metrópole e acesso a oportunidades,
instituições e referências sociais. Os resultados demonstram que jovens com maior
capacidade de circulação tendem a construir espacialidades mais amplas e
diversificadas, enquanto aqueles inseridos em contextos mais restritos apresentam
experiências ancoradas no entorno imediato. A análise das aspirações revelou que
estas não se configuram como escolhas individuais isoladas, mas como processos
socialmente situados e territorialmente mediados, atravessados pelas experiências
escolares, laborais, familiares e espaciais dos sujeitos. Nesse sentido, identificaram-se
diferentes graus de fundamentação dos projetos de futuro, evidenciando que o acesso
desigual a recursos, informações, redes de apoio e experiências urbanas condiciona,
de forma diferenciada, a capacidade de elaboração e concretização das trajetórias
juvenis. Conclui-se que as aspirações juvenis não se constituem dissociadas do
espaço, mas são produzidas no interior de geografias cotidianas marcadas por
desigualdades de acesso à cidade, à mobilidade, à educação e às oportunidades. A
tese demonstra que a mobilidade espacial constitui mediação concreta para a
mobilidade social, uma vez que a capacidade diferencial de circulação no espaço
metropolitano condiciona o acesso a repertórios, referências e possibilidades de
futuro. Experiências cotidianas, ritmos urbanos e formas de inserção socioespacial
mostraram-se centrais na construção das trajetórias juvenis, evidenciando que o
território participa ativamente da definição do que é possível imaginar, desejar e
realizar como projeto de vida.

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